terça-feira, 18 de junho de 2013

Da margem da cidade


Diante das últimas manifestações contra o aumento da passagem dos transportes urbanos na cidade de São Paulo, organizadas pelo Movimento Passe Livre, o Projeto Imargem se posiciona defendendo o uso do espaço urbano para manifestações legítimas e importantes para a democracia do país. Somos contra qualquer tipo de violência física e a depredação de equipamentos públicos por parte da polícia militar ou de pessoas com más intenções que estejam inseridas entre os manifestantes.

O Imargem é movimento apartidário e que trabalha com três eixos temáticos: arte, meio ambiente e convivência, e através do Projeto Cartograffiti levanta a questão do diálogo e interação com murais, graffitis e intervenções urbanas com intento de construir um espaço de convivência. Abre um debate por meio da da arte, sobre adesão da cidade, resistência, a legalidade e a legitimidade do uso dos espaços públicos. O projeto vem em busca da descentralização da cidade, onde o fluxo de informações, de pessoas e atividades entre as periferias e o centro estão cada vez mais frequentes.

Gostaríamos de deixar nosso recado à população da cidade, que vem participando das manifestações com coragem e a cada dia mais pessoas estão somando nas ruas para exigir seus direitos e o legítimo uso do espaço público, seja ele com arte, música, dança ou qualquer tipo de manifestação livre.

Vamos às ruas pedir por um país livre de repressão, chega de bombas, de repressão, vamos abaixar as armar e dialogar sobre os problemas da cidade e caminhar juntos e construir uma cidade feita com pessoas e para pessoas.

Agentes Marginais
Grajaú, São Paulo


Projeto Cartograffiti - Teaser 1


Projeto Cartograffiti - Teaser 2
 



Projeto Cartograffiti - Teaser 3



sábado, 1 de junho de 2013

Imargem participa da 3° Edição da Virada Sustentável


Este ano o Projeto Imargem participará da 3° edição da Virada Sustentável, com visitas monitoradas, exibição de vídeos e debatepapos. As atividades ocorrerão no dia 9 de junho das 10h às 17h, no Grajaú e na Ilha do Bororé.

As visitas monitoradas tem início nos murais produzidos no 10° Encontro Niggaz de Graffiti, que ocorreu nos dias 25 e 26 de maio, no Grajaú, próximo a 1° balsa da Ilha do Bororé. Outras visitas ocorrerão para o público conhecer as obras produzidas pelos agentes marginais e pelo projeto Cartograffiti.

Os vídeos vão anteceder os debatepapos, um sobre o Projeto Cartograffiti e o outro com o vídeo-documentário "Com Vivências Marginais", resultado do projeto FEMA.

O ponto de encontro para as visitas monitoras será na Praça entre a Avenida Dona Belmira Marim e a Estrada do Sangrilá - próximo a rotatória do Jardim Eliana, a partir das 10h.



sábado, 18 de maio de 2013

Imargem promove pré-estréia do documentário "Com Vivências Marginais"


O coletivo Imargem promove neste domingo, dia 19 de maio, a pré-estreia do vídeo-documentário “Com VIVÊNCIAS MARGINAIS”, de Irene Tobón Restrepo, resultado de um longo processo de convivência durante o Projeto Imargem: Arte, Meio Ambiente e Convivência.
O vídeo inédito será exibido às 18hs na sede do Vento em Popa – Rua Nove de Setembro, 88, Jardim Gaivotas, Grajaú.
Também será divulgado o vídeo “Imargem na Terra”, fruto de um trabalho para difundir a Carta da Terra em ação com os Agentes Marginais; haverá exposiçao das obras dos artistas do Imargem, um Círculo de Conversa sobre o Projeto Imargem e microfone aberto.




sexta-feira, 17 de maio de 2013

Zona sul recebe o 10° Encontro Niggaz de Graffiti e reúne artistas de todo o país


Nos próximos dias 25 e 26 de maio, o distrito do Grajaú, extremo sul da cidade, recebe pelo décimo ano seguido o Encontro Niggaz de Graffiti. Este ano o evento conta com o apoio do Projeto Color+City e da Escola Estadual Profª Clarina Amaral Gurgel.
Para participar o artista deve acessar a página do Encontro Niggaz no Facebook e deixar uma mensagem sobre a intensão de participar.

Para o encerramento do encontro será lançado o
vídeo-documentário "Com Vivências Marginais" e Mapa de Processos do Projeto Imargem. E uma apresentação da Banda Rap Enter, um projeto que reúne o improviso de Mc's e repentistas.

O Encontro Niggaz, que tem em seu nome a homenagem a um importante artista local, o então jovem Alexandre da Hora falecido em maio de 2003 aos 21 anos. O Niggaz um percussor do Graffiti no Grajaú, influenciou muitos artistas de sua geração, assim como de outros lugares da cidade, onde grafitou suas mais diversas obras.

Desde 2004 o encontro acontece anualmente no mês de maio em longos muros das comunidades do Grajaú, desde então o evento contou com aproximadamente 1600 artistas da cidade de São Paulo, com representações de grafiteiros de outros estados brasileiros e estrangeiros. Artistas reconhecidos internacionalmente, ou não, vem anualmente prestigiar um dos mais importantes encontros de Graffiti do país.

O Encontro Niggaz é uma iniciativa de jovens artistas da cidade de São Paulo, mais precisamente das comunidades do distrito do Grajaú, extremo sul da capital paulista, esses artistas atuam principalmente por meio da intervenção urbana, são profissionais conhecidos também como grafiteiros. Estabelecem uma relação fortíssima com a cidade e com seus respectivos bairros. Articulados através de um coletivo, os Agentes Marginais, desde 2007 com o Projeto Imargem, dialogam com a comunidade através de três eixos temáticos: arte, meio ambiente e convivência, trabalhando em suas intervenções a memória e a poesia para os muros cinza e espaços degradados da região a partir da margem da cidade.

Imargem
O Projeto Imargem é formado por artistas visuais, auto-denominados Agentes Marginais, e organiza intervenções multidisciplinares que, reunindo arte, meio ambiente e convivência, propõe um olhar cuidadoso às comunidades, para pensar e agir diante das potencialidades e problemáticas da nossa sociedade, da margem à centralidade da cidade.
As ações implementadas pelo Imargem visam ampliar os olhares e aguçar as sensibilidades de todos para o espaço urbano. Espaço entendido como a paisagem povoada.
Agentes Marginais é a denominação dada pelos artistas da margem; são os que atuam nas bordas de toda a cidade. O grupo do extremo sul da capital paulistana, mais especificamente originários do distrito do Grajaú, vem se articulando profissionalmente por meio de intervenções urbanas, ligada as áreas da Comunicação visual, Graffiti, Esculturas, Cenografia e Arte Educação.

Serviço:
10° Encontro Niggaz de Graffiti
Dias e horário:
25 e 26 de maio, a partir das 10h
Local: Avenida Dona Belmira Marin, altura do nº 5400 – Grajaú
Informações aos artistas: imargem.imagemdamargem@gmail.com


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Projeto Imargem no Pétala por Pétala - a vida inspira a arte no Sesc Intelagos


O Projeto Imargem participará nos dias 27 e 28 de abril do evento "Pétala por Pétala - a vida inspira a arte" no Sesc Interlagos, zona sul da cidade.
Os agentes irão promover oficinas de graffiti, exposição das obras do acervo do Imargem e um ateliê aberto. 



terça-feira, 9 de abril de 2013

NIGGAZ: AS DISTÂNCIAS INTRANSPONÍVEIS



Por Sérgio Franco

Falar do Niggaz sem cruzar a trajetória de artista com a biografia nos distancia de um dos maiores méritos de seu processo de criação: a conexão da vida com a obra. Ele sempre soube tirar o melhor partido da experiência que teve, projetando-a com toda potência na expressividade plástica. Gustave Flaubert, abordando este processo, também vai encorajar o pintor Ernest Feydeau a fazer uma pintura no leito de morte de sua esposa. Em uma carta vai dizer: “Você viu e vai ver belos quadros, e poderá fazer bons estudos. E pagá-los caro. Os burgueses mal desconfiam de que lhes servimos o nosso coração. A raça dos gladiadores não está morta: todo artista é um deles. Diverte o público com suas agonias.”[1]

O Niggaz por sua vez, não registrou a dor dos outros como foco de sua expressão, mas a própria, maquiada numa ficção. Recriou o mundo para ele fazer sentido, diminuindo o absurdo da existência para um jovem de periferia com um talento descomunal. A sua inadequação é para nós um índice de como se acolhe um jovem da periferia numa realidade distinta da sua origem.

Alexandre Luis da Hora Silva, Niggaz, faleceu aos 21 anos, em 29 de abril de 2003, nas águas da Represa Billings, antes disso deixou uma obra que marcou o seu tempo, o que havia de vida nele permanece entre nós. Para nós que não entendemos o que se passou para haver este destino trágico, fica a pergunta: como um jovem dotado de tais poderes mágicos de criatividade pudera ter encontrado morte prematura?

Niggaz no Beco Aprendiz

Objetivamente, jamais poderemos dar precisão para este desfecho, mas por sua trajetória podemos encontrar um sentido para sua obra. Por meio dela, emergem características importantes de uma vida na metrópole, vista e vivida por um sujeito oriundo da sua margem: Jardim Eliana (Grajaú – Zona Sul), na periferia da cidade, lugar onde cresceu. O graffiti surgiu para ele como instrumento de construção de um caminho para outras paragens, lugares distantes e cheios de barreiras, por onde seus amigos de bairro não se imaginavam antes dele. Niggaz ultrapassou obstáculos reais e simbólicos que levavam até o mundo da arte, e seus parceiros encontraram percursos possíveis com este estímulo.

A nave espacial que ele fez no beco da Rua Belmiro Braga (Vila Madalena) foi a síntese deste processo. A nave está a caminho de algum lugar imaginário, um outro mundo, para tanto é bem equipada para a viagem: cheia de dispositivos, botões, teclados de um computador central, monitores de controle, etc. Mas o comandante desta nave não a move por livre e espontânea vontade, nas suas costas há um homem com um revolver na mão, ameaçando-o enquanto ele observa um monitor na sua lateral. Ele também segura o manche e tecla nos equipamentos da nave, parece dominar um processo complexo para colocá-la na rota de sua viagem. Junto da cabine ele é auxiliado por uma mulher, a co-pilota de sua jornada. Não podemos saber o destino que perseguem, mas supomos, como num sequestro, que talvez não exista retorno.

Uma das principais características de Niggaz era ser romântico, amante do afeto, sempre disposto a dedicá-lo e carente em recebê-lo. As experiências sentimentais intensas sempre povoaram sua trajetória, recorrentemente aparecia com o desenho de uma mulher pela qual se apaixonara e os amigos apaixonavam-se por derivação, através de seu trabalho. A mulher ao seu lado na nave do painel do ‘Beco’ é o elemento que lhe dava estímulos para transpor as distâncias, que o acompanhava na viagem e lhe fornecia o afeto e a compreensão para diminuir as turbulências de sua vida, foi ela também que lhe trouxe uma das maiores desilusões.

Contudo, Niggaz é pioneiro, foi o primeiro grafiteiro que chegou à Vila Madalena vindo de uma origem social mais baixa, também o primeiro que fez estes grafiteiros de classe média circularem pela periferia. Quando então, além de reconhecerem as distâncias que ele ultrapassara, passaram a valorizar a sua disposição em transpô-las.



[1] G. Flaubert, carta a E. Feydeau, primeira quinzena de outubro de 1859. In: Correspondance, t. IV, p.340. 

terça-feira, 12 de março de 2013

São Paulo ganha presente de grafiteiro na Avenida Paulista




O agente marginal Alexandre Puga presenteou a cidade com um mural grafite. O mural é uma releitura da Avenida Paulista, com perspectiva para o Masp e Trianon. A produção começou em fevereiro e ficou pronto no começo de março. Mostrando no desenho aquilo que lhe é mais representativo, o povo trabalhador, sensível e que se une para um grito de gol, de reivindicações na Avenida Paulista.

A arte urbana vem crescendo em todos os cantos da Paulicéia, a arte que até pouco tempo era marginalizada e tinha como referência a periferia da cidade hoje vem tomando galerias e espaços de arte em todo o mundo.

Acompanhe a produção do mural na página do artista:

Alexandre Puga é um incansável pesquisador de técnicas modernas tanto na arte do Graffiti como na pintura, formou-se em artes visuais em 2008 e é hoje talento da nova geração de artistas contemporâneos. Iniciou seu contato com a arte a partir da pichação, onde escrevia seu primeiro nome do caminho da casa para a escola. Os homens e seus problemas é uma das suas grandes preocupações, seus personagens gritam algo o que ainda não foi dito, algo que precisa ser explicado, com muita personalidade no estilo e coragem na técnica fazem com que seus trabalhos sejam reconhecidos instantaneamente. O conceito, ritmo e textura, também são fortes características na obra desse artista genial.